De Povos Indígenas no Brasil
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Notícias

Levantamento mostra que desmatamento na Amazônia continua acelerado

04/03/2004

Fonte: Tribuna de Imprensa-Rio de Janeiro-RJ



Dados preliminares indicam que a Amazônia continuou perdendo áreas de floresta para pastos, exploração predatória de madeira e plantio de soja, entre agosto de 2002 e agosto de 2003.

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) ainda não conclui o levantamento, mas informalmente já comunicou ao Ministério do Meio Ambiente que a taxa de desmatamento está próxima dos 25.476 quilômetros quadrados registrados entre 2001/2002. Uma área semelhante à do Estado de Alagoas e a segunda maior perda já registrada.

Este é o primeiro indicador de desmatamento no governo Luiz Inácio Lula da Silva. A notícia não é boa. A taxa se aproxima do recorde de desmatamento de 29.059 quilômetros quadrados, registrados entre 1994/95.

O secretário de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, reconhece que o índice continua "altíssimo". Mas diz que o desmatamento vinha apresentando uma "curva ascendente rigorosa" desde 1997, quadro que não se pode reverter de imediato.

No ano passado, ao anunciar o índice que ainda refletia a atuação do governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), decidiu-se criar um grupo com participação de 11 ministros para discutir medidas que revertam as altas taxas. As medidas iniciais não foram suficientes para mudar esta tendência.

Ainda este mês, entretanto, deverá entrar em operação o Sistema de Alerta Desmatamento, que facilitará o combate ao problema no País. "Teremos informação em tempo quase real", informou Capobianco.

Imagens de satélite captadas em intervalos menores fornecerão dados mensais, permitindo o deslocamento de fiscais para a área a tempo de impedir a derrubada de árvores. Pelo atual sistema, a informação é anual, quando o desmatamento já ocorreu.

O sistema de alerta é uma das medidas que o grupo interministerial anunciará até o fim do mês para frear o desmatamento na Amazônia. O pacote inclui fiscalização mais rigorosa e estímulos para mudar o processo econômico na região.

Entre eles, créditos especiais, programas de desenvolvimento e investimentos públicos. "Queremos reverter o desmatamento de forma permanente".

Repressão
Para Arnaldo Carneiro, coordenador de Pesquisas em Ecologia do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), o sistema de alerta dará uma boa ajuda no controle do desmatamento, mas não será suficiente.

"O problema só começará a ser resolvido quando houver maior repressão", diz. "Desmatamento ilegal é caso de polícia. Mas isso só também não basta. É preciso definir uma política para a Amazônia."

Quanto aos números, Carneiro acha que eles estão subestimados. "Quem trabalha no campo na Amazônia sabe que serão maiores", diz. "A soja está chegando e empurrando a fronteira agrícola para áreas de floresta. E o pior é que isso é feito com financiamento do Banco do Brasil, que, no fundo, está patrocinando o desmatamento."

O biólogo José Maria Cardoso da Silva, vice-presidente de Ciência da ONG Conservação Internacional, não se surpreendeu com a taxa do desmatamento. "De certa forma já era esperada", diz. "As medidas adotadas pelo governo, como o aumento da fiscalização, só estarão refletidas nos dados de 2004."

Para Silva, o sistema de alerta só vai funcionar se houver infra-estrutura no campo. "Não adianta detectar o desmatamento em tempo real, se não houver fiscal para mandar ao local."
 

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